
Entre Maio e Junho deste mês várias coisas ocupam a mente dos jovens, coisas essas como a chuva, que está fora de época e tipos de cabelo comprido com cheiro duvidoso vos dirão que tudo isto é culpa dos Range Rovers e dos churrascos ao domigo e que todos nós deviamos andar de bicicletas feitas de bambú e comer apenas cogumelos e ervas daninhas. Outro tópico discutido pela juventude de hoje é o Europeu - o calendário dos jogos, a melhor cerveja para acompanhar a transmissão e para que lado é que o Cristiano Reinaldo arruma a casa. Honestamente, o futebol só vale a pena assistir se estivermos com amigos e uma grade de loiras frescas ao nosso lado. Loiras frescas como a escandinava Victoria Silvstedt por exemplo. E chegamos então ao maior assunto de todos, o Rock in Rio.
O Rock in Rio é um festival de música onde vários jovens de todos os panoramas sociais se juntam para fazer lixo e dormir na relva
Para aqueles de vocês que vivem em cavernas no Afeganistão e a vossa ligação à internet quase que por milagre apenas vos deixa aceder a este site, o Rock in Rio é um festival de música onde vários jovens de todos os panoramas sociais se juntam para fazer lixo e dormir na relva. Admito, de facto, que este ano os concertos têm sido muito bons (com a excepção de uns tais Residencial Tokio), e que estou agora a ver em directo o concerto do Rod Stewart, que continua sensacional embora as calças de cabedal e a camisa entalada não sejam exactamente moda no resto da década. O melhor de tudo são as músicas e a violinista e a saxofonista, mas pronto, vejam depois uma das cerca de trezentas repetições que irão para o ar na próxima semana.
Todo este negócio "por um mundo melhor" não é tão bom quanto parece. Tudo bem que eles utilizam electricidade vinda do vento e lâmpadas feitas com faíscas do martelo de Thor, mas se virem bem a quantidade de copinhos de plástico, pratinhos de papel e pilhas utilizadas nas máquinas fotográficas que são gastos nestes concertos, a coisa fica má para o macaco-uivador da baixa amazónia ou o urso polar malhado da lapónia. Sim, é verdade. Os fiéis da igreja do Greenpeace protestem quanto quiserem.
O problema é que os tipos em velhos barcos a diesel que deitam tanto fumo para a atmosfera como o Miguel Sousa Tavares a fumar depois de um bom almoço, vestidos com fatos impermeáveis brancos e armados com bolas de tinta e filosofias mal-cozidas se opõem à energia nuclear porque esta "mata gatinhos por telepatia" segundo um comunicado oficial da organização. Meus senhores, se não querem enriquecer companhias como a Galp, que penso neste momento fazer cerca de um gazilião de euros por segundo, deixem o urânio andar livre pelas paisagens. Se o fizerem, o preço do petróleo desce porque as centrais termoeléctricas deixam de consumir e os tais "cinco litros" que restam no subsolo (mais uma vez, segundo fontes oficiais).
O avô destas máquinas é o Toyota Prius - uma carroça divina que funciona a sorrisos e é refrigerada por sopros de hamsters
Tipos como estes só se movem na estrada em grandes carroças puxadas por cavalos mágicos que não emitem gases ou em coisas chamadas híbridos. O avô destas máquinas mágicas é o Toyota Prius - uma carroça divina que funciona a sorrisos e é refrigerada por sopros de hamsters. O problema com tais fabulosas máquinas é que não são tão económicas quanto os japoneses verdes querem fazer parecer. De facto, por detrás do depósito de sorrisos e do radiador de hamsters está um motor 1.6 a gasolina. E pior ainda, os alemães, ignorando toda aquela coisa do Eixo que se falava nos anos 40, fizeram um carro mais económico e - senhores ecologistas, sentem-se - não tem motor eléctrico. Pois é, os gentis tipos da Volkswagen fizeram ein Golf 1.9 TDI que consome muito pouco, mesmo. Este Bluemotion, como lhe chamam os alemães, é o melhor para quem quer salvar as focas bebés e os icebergs e coisas assim.
Os híbridos são então o Rock in Rio sobre rodas - até que têm boas intenções, mas não chegam a concretizá-las. O Prius é um género de Roberta Medina - bem intencionado, até que permanece calado durante toda a coisa mas acaba apenas por dar dinheiro à organização. E em termos de condução temo que sejam maus. Mesmo. Ao ponto de eu preferir certas actividades a conduzi-los, como aprender norueguês num curso intensivo de 301 fáceis lições ou montar andaimes por desporto.
E em termos de condução temo que sejam maus (...) ao ponto de eu preferir certas actividades a conduzi-los, como aprender norueguês num curso intensivo de 301 fáceis lições ou montar andaimes por desporto.
Volto então à verdadeira alternativa, este pequeno carro germânico que calou os defensores dos carros a pilhas. Desafio todos os que se preocupam com o termómetro global a comprarem um. Daqui a nada estão a usar a espaçosa mala do Golf para trazer tijolos e a levá-los para a construção da central nuclear portuguesa. JN
Sem comentários:
Enviar um comentário